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quarta-feira, 30 de junho de 2010

Se Israel afundar, todos afundaremos

Se Israel afundar, todos afundaremos
Por José Maria Aznar
22 Junho 2010

RESUMO: Revolta em relação aos acontecimentos na Faixa de Gaza é uma distração. Não podemos esquecer que Israel, nesta região turbulenta, é o maior aliado do Ocidente. Há muito tempo está fora de moda na Europa falar em favor de Israel.

Em seqüência ao recente incidente a bordo de um navio cheio de ativistas anti-Israel no Mediterrâneo, é difícil pensar em uma causa mais impopular para lutar. Em um mundo ideal, a intervenção do exército israelense sobre o Mavi Marmara não teria terminado com nove mortos e alguns feridos. Em um mundo ideal, os soldados teriam sido recebidos de forma pacífica no navio. Em um mundo ideal, nenhum Estado, muito menos um aliado recente de Israel, como a Turquia, teria promovido e organizado uma flotilha, cujo único propósito era criar uma situação impossível para Israel, fazendo-o escolher entre desistir de sua segurança e do bloqueio naval, ou incitar a ira mundial.

Em nossas relações com Israel, devemos deixar para trás a raiva que muitas vezes desvirtua o nosso julgamento. Uma abordagem razoável e equilibrada deve encapsular as seguintes realidades: primeiro, o Estado de Israel foi criado por uma decisão da ONU. Sua legitimidade, portanto, não deve entrar em questão. Israel é um país com instituições democráticas profundamente enraizadas. É uma sociedade dinâmica e aberta, que tem repetidamente se destacado nos campos da cultura, ciência e tecnologia.
Em segundo lugar, devido às suas raízes, história e valores, Israel é uma nação de pleno direito ocidental. Na verdade, é uma nação ocidental normal, porém diante de circunstâncias atípicas.

Infelizmente, no Ocidente, Israel é a única democracia cuja existência tem sido questionada desde a sua criação. Em primeira instância, foi atacado por seus vizinhos que usavam armas convencionais de guerra. Em seguida, enfrentou o terrorismo que culminou com uma seqüência de ataques suicidas. Agora, a pedido de radicais islâmicos e seus simpatizantes, enfrenta uma campanha de deslegitimação através do direito internacional e diplomacia.

Sessenta e dois anos após sua criação, Israel ainda está lutando por sua sobrevivência. Punido com chuvas de mísseis que caem no norte e sul, ameaçado de destruição por um Irã que tem o objetivo de adquirir armas nucleares, e pressionado por amigos e adversários, Israel, ao que parece, nunca pode ter um momento de paz.

Durante anos, o foco de atenção do Ocidente tem sido, compreensivelmente, voltado ao processo de paz entre israelenses e palestinos. Mas se Israel está em perigo hoje e toda a região está deslizando rumo a um futuro preocupante e problemático, não é devido à falta de entendimento entre as partes sobre como resolver este conflito. Os parâmetros de um acordo de paz em perspectiva são claros, por mais difícil que possa parecer para os dois lados dar o passo decisivo para um acordo.

As verdadeiras ameaças à estabilidade regional, no entanto, encontram-se no surgimento do radicalismo islâmico que vê a destruição de Israel como o cumprimento de seu destino religioso e, simultaneamente, no caso do Irã, como uma expressão de suas ambições à hegemonia regional. Ambos os fenômenos são ameaças que afetam não só Israel, mas também toda a Comunidade Internacional.

O núcleo do problema reside na maneira ambígua, e muitas vezes errônea, em que muitos países ocidentais estão reagindo a esta situação. É fácil culpar Israel por todos os males do Oriente Médio. Alguns até agem e falam como se um novo entendimento com o mundo muçulmano poderia ser alcançado somente se estivéssemos dispostos a sacrificar o Estado judeu. Isso seria loucura.

Israel é a nossa primeira linha de defesa em uma agitada região que está constantemente sob o risco de cair no caos; uma região que é vital para a segurança energética mundial devido à nossa dependência excessiva de petróleo do Oriente Médio; uma região que forma a linha de frente na luta contra o extremismo. Se Israel cair, todos nós cairemos. Para defender o direito de Israel existir em paz, dentro de fronteiras seguras, requer um grau de clareza moral e estratégica que muitas vezes parece ter desaparecido na Europa. Os Estados Unidos mostram sinais preocupantes de seguirem uma posição no mesmo sentido.

O Ocidente está atravessando um período de incerteza com relação ao futuro do mundo. No sentido amplo, esta incerteza é causada por uma espécie de dúvida masoquista sobre nossa própria identidade; pela regra do politicamente correto; por um multiculturalismo que nos obriga a curvar-nos diante dos outros; e por um secularismo que, cinicamente, cega-nos, mesmo quando somos confrontados por membros do jihad promovendo a encarnação mais fanática de sua fé. Deixar Israel a sua própria sorte, neste momento crucial, serviria apenas para ilustrar o quanto afundamos e como nosso declínio inexorável agora se torna eminente.

Isto não pode acontecer. Motivado pela necessidade de reconstruir os nossos valores ocidentais, expressando uma profunda preocupação com a onda de agressão contra Israel, e consciente de que a força de Israel é a nossa força e a fraqueza de Israel é a nossa fraqueza, tomei a decisão de promover uma nova iniciativa chamada Amigos de Israel com a ajuda de algumas personalidades, incluindo David Trimble, Andrew Roberts, John Bolton, Alejandro Toledo (ex-presidente do Peru), Marcello Pera (filósofo e ex-presidente do Senado italiano), Nirenstein Fiamma (autor e político italiano), o financista Robert Agostinelli e o intelectual católico George Weigel.

Não é nossa intenção defender qualquer política específica ou qualquer governo israelense em particular. Os patrocinadores desta iniciativa, com certeza, devem discordar das decisões tomadas por Jerusalém em algumas situações. Nós somos democratas e acreditamos na diversidade.

O que nos une, no entanto, é o nosso apoio incondicional para o direito de Israel existir e de se defender. Os países ocidentais que se unem com aqueles que questionam a legitimidade de Israel, para que estes joguem com organismos internacionais as questões vitais de segurança de Israel, satisfazendo aqueles que se opõem aos valores ocidentais ao invés de se levantar com firmeza em defesa desses valores, não estão cometendo apenas um grave erro moral, mas um erro estratégico de primeira grandeza.

Israel é uma parte fundamental do Ocidente. O Ocidente é o que é graças às suas raízes judaico-cristãs. Se o elemento judeu dessas raízes for retirado e perdermos Israel, também estaremos perdidos. Quer queira ou não, nosso destino está interligado.

José Maria Aznar é ex-primeiro ministro da Espanha, entre 1996 e 2004.

(Disponível em: http://www.midiasemmascara.org/artigos/internacional/oriente-medio/11169-se-israel-afundar-todos-afundaremos-.html)

terça-feira, 22 de junho de 2010

ANALFABETISMO FUNCIONAL. UM PROBLEMA BRASILEIRO QUE PRECISA DE SOLUÇÃO

http://geografia.uol.com.br/geografia/mapas-demografia/29/artigo158381-1.asp

por Kátia Ferraz

A liberdade, a prosperidade e o desenvolvimento da sociedade e dos indivíduos são valores humanos fundamentais e só podem ser alcançados quando todos os cidadãos estiverem informados para exercerem seus direitos democráticos e para desempenhar em um papel ativo na sociedade. (manifesto da UNESCO).

Dados da última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) , do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontaram que o Brasil tem o grande desafio de combater o chamado analfabetismo funcional, que atinge 25% da população com mais de 15 anos, entre outras agravantes, constitui um problema silencioso e perverso que afeta o dia a dia nas empresas.

Neste universo não estamos incluindo pessoas que nunca foram à escola, mas sim aquelas que sabem ler, escrever e contar; chegam a ocupar cargos administrativos, porém não conseguem compreender a palavra escrita. Computadores provocam calafrios e manuais de procedimentos são ignorados; mesmo aqueles que ensinam uma nova tarefa ou a operar uma máquina. No entanto, este perfil de profissionais prefere ouvir explicações da boca de colegas.

Calcula-se que, no Brasil, os analfabetos funcionais somem 70% da população economicamente ativa. O resultado não é surpreendente, uma vez que apenas 20% da população brasileira possui escolaridade mínima obrigatória (ensino fundamental e ensino médio). Para 80% dos brasileiros, o ensino fundamental completo garante somente um nível básico de leitura e de escrita.

No mundo todo há entre 800 e 900 milhões de analfabetos funcionais, ou seja, uma camada de pessoas com menos de quatro anos de escolarização; mas pode-se encontrar também neste meio, pessoas com formação universitária e exercendo funções-chave em empresas e instituições, tanto privadas quanto públicas. Entre suas características, não têm as habilidades de leitura compreensiva, escrita e cálculos para fazer frente às necessidades de profissionalização e tampouco, da vida sociocultural às necessidades de profissionalização e tampouco, da vida sociocultural.

Muito se tem que fazer para reverter esse quadro, mas algumas iniciativas como a criação de bibliotecas comunitárias pelo país tem tido resultados significativos e atraído um público cada vez maior para o mundo da leitura.

Uma biblioteca pública está destinada a atender à comunidade em geral, e seu acervo deve ser composto por uma grande variedade de assuntos. Na maioria das vezes, sua gestão é administrada por integrantes da própria comunidade. Criar uma biblioteca comunitária é uma possibilidade de valorização da comunidade local, na medida em que os conhecimentos podem ser levados a um número maior de pessoas. Essa iniciativa mostra o alto nível de organização, amadurecimento e cidadania da comunidade local, já que assim as pessoas se tornam responsáveis pelo processo de crescimento cultural coletivo e individual.

A biblioteca deve ser um lugar onde o povo possa se encontrar, trocar idéias, discutir problemas, saciar curiosidades e obter informações essenciais para a cidadania. Na chamada sociedade da informação, ainda existem pessoas desinformadas, diante da privação do direito de participação. A existência de bibliotecas comunitárias, que atendam às necessidades de informação, pode minimizar a exclusão social, em regiões caracterizadas pela privação de educação, informações, lazer e vários fatores considerados essenciais para a qualidade de vida.

A implantação deste espaço visa minimizar as diferenças culturais, raciais, econômicas e educacionais. Para isso elas deverão ser munidas de acervo bibliográfico e documental, considerando os costumes da cultura em que ela está inserida, possibilitando ao seu usuário, o livre e gratuito acesso à informação. Nos países avançados, as bibliotecas públicas são centros de informação da comunidade – que trabalham ativamente para atrair seu público.

BIBLIOTECA COMUNITÁRIA. LER É PRECISO

As bibliotecas comunitárias ainda são fenômenos em construção, pois, muitas delas ainda estão em projetos e nas mentes de pessoas que sonham com uma unidade de informação perto de sua casa. Felizmente várias delas já ultrapassaram o mundo da imaginação e se tornaram reais.

A ONG Instituto Ecofuturo, mantida pela empresa Suzano Papel e Celulose e Suzano Petroquímica criou, há dez anos, o projeto, o projeto Bibliotecas Comunitárias "Ler É Preciso", que hoje já conta com 80 bibliotecas espalhadas pelo país. Segundo Christine Castilho Fontelles, diretora de educação e cultura do Ecofuturo, "A ideia surgiu em 1999, por meio de um diálogo com um engenheiro da região do Vale do Paraibúna, em São Paulo, que apresentou um projeto, visando resgatar a cidadania rural da comunidade. Eles detectaram um êxodo considerável de jovens do local, pela falta de atividades e até mesmo de uma biblioteca local.

Dez anos depois, o projeto adquiriu um outro corpo, mas sempre esteve pautado na formação de pessoas, na aquisição de um acervo de qualidade novo, fundamentalmente calçado em literatura infantil e juvenil", explicou.

Entre as prioridades deste trabalho, Christine Fontelles ainda afirma, "Saber ler e escrever com competência é requisito fundamental para que uma pessoa possa desenvolver autonomia, ter acesso à construção de um pensamento autônomo e participar ativamente de uma sociedade democrática. O acesso às obras de qualidade é de extrema importância para acessar o conhecimento e desenvolver estas competências".

PARTICIPAÇÃO DA COMUNIDADE É FUNDAMENTAL

Ainda sobre a mesma idéia, a diretora do Ecofuturo explica que o fato da comunidade participar ativamente faz com que as bibliotecas sejam mais visitadas. "Para nós é importantíssimo que a comunidade dialogue com o poder público, que se constitua um grupo misto de trabalho com pessoas de várias áreas da comunidade como: conselho tutelar, comércio local, agentes de saúde, educação e cultura". Precisamos ter um grupo interdisciplinar que discuta e planeje a biblioteca em todos os seus aspectos, sejam administrativos, organizativos, até a parte de captação de novos participantes, além de programar atividades de leitura. Nós incentivamos muito para que eles trabalhem com as mídias locais (rádios comunitárias, jornais).

Uma das últimas bibliotecas implantadas no Jardim Panorama, em São Paulo, desprovido de equipamentos culturais e de lazer, exigiu um trabalho muito delicado para construção da confiança de seus moradores. Cerca de 400 famílias residem ali, em uma comunidade que tem pouco espaço territorial e uma fraca infra-estrutura.

Marcos Rosa da Silva, presidente da União de Moradores da Favela Jardim Panorama e representante do poder público local, explica que a biblioteca é uma conquista valiosa para a comunidade. "Em uma localidade carente como a nossa, muitas vezes as pessoas colocam a leitura em segundo plano. Uma iniciativa como essa é extremamente importante para que os moradores do Jardim Panorama possam colocar os livros em sua vida. Literatura é fundamental para o desenvolvimento social do ser humano", afirma.

Ele ainda ressalta que a conversa com os articuladores antes da implantação foi fundamental para que a comunidade abraçasse a idéia. "A vinda deles até aqui nos ajudou a enxergar a importância da leitura e de se ter uma biblioteca com a nossa cara aqui. Estamos satisfeitos e esperamos que este espaço traga reais mudanças para o Jardim Panorama", explica.

FUNCIONAMENTO DAS BIBLIOTECAS COMUNITÁRIAS

Quase todas as bibliotecas implementadas têm a contrapartida da Prefeitura local, além de parceiros comerciais na doação de livros. A prefeitura que cede o espaço faz as obras de restauro e vai garantir a manutenção dessa biblioteca em todos os eixos, desde a remuneração de quem trabalha até a manutenção do acervo. "A idéia não é prescindir desse apoio e sim trazer a comunidade para dialogar e criar um novo padrão de atendimento nessa área", explica Christine Fontelles.

"Encontramos secretários de Cultura ou de Educação que não estão nem aí e diretores de escolas com muita vontade de ter a biblioteca. Conciliar as duas pontas é difícil, mas não é impossível, porém leva mais tempo porque são necessárias diversas estratégias", diz a diretora.

Christine acrescenta ainda que, a cada dia surgem novos ingredientes para serem adicionados ao Programa. "Criamos um movimento de sensibilização da sociedade sobre a importância de se oferecer literatura para bebês. E conseguimos em janeiro de 2009, a promulgação do dia da leitura, em 12 de outubro. O objetivo é que possamos reunir e catalisar as ações, porque existem inúmeras desenvolvidas pelo país, mas funcionam sem coordenação. Quanto mais informação se tem, melhor se pode desenvolver o trabalho de formação de leitura", conclui.

Na mesma linha de atuação das bibliotecas implantadas pelo Ecofuturo, também merece ser ressaltado o programa São Paulo: um estado de leitores, lançado em 2003, pela Secretaria de Estado da Cultura, em parceria com as prefeituras locais e iniciativa privada.

Desde o lançamento do programa, várias empresas consideraram o projeto extremamente importante e participaram com a doação de uma ou mais bibliotecas para os municípios. No esquema tripartite montado, os padrinhos contatados pela Secretaria fornecem um computador e um acervo básico de 600 ou 1000 títulos definidos pelo Governo, dependendo do número de habitantes dos municípios. As atividades de estímulo à leitura ficam sob a responsabilidade da Secretaria e às Prefeituras coube oferecer a área para a implantação da biblioteca e o profissional para operá-la.

PNAD

A PESQUISA NACIONAL POR AMOSTRA DE DOMICÍLIO - PNAD é uma pesquisa feita pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em uma amostra de domicílios brasileiros que, por ter propósitos múltiplos, investiga diversas características econômicas da sociedade, como população, educação, trabalho, rendimento, habitação, previdência social, migração, fecundidade, nupcialidade, saúde, nutrição etc., entre outros temas que são incluídos na pesquisa, de acordo com as necessidades de informação para o Brasil. A pesquisa é feita em todas as regiões do país, incluindo as áreas rurais de Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Pará e Amapá, que eram excluídas até recentemente.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

ACORDO DE R$ 10 MILHÕES. TRT 5a. Região

Empresa paga R$ 10 milhões em acordo trabalhista em Candeias
Audiência homologa adesão de um dos reclamantes ao acordo global

A empresa Nordeste Generation Ltda deve concluir, até o próximo dia 30, o pagamento de mais de R$ 10 milhões (R$10.874.081,97) por dívidas com ex-empregados que prestavam serviço no Porto de Aratu, onde a empresa funcionou até 2005. O pagamento está sendo feito após a realização de um acordo que deve resolver 113 processos em tramitação na 1ª Vara do Trabalho de Candeias. Cerca de R$ 7,65 milhões do montante deve ir diretamente para os trabalhadores e o restante servirá para pagar contribuições previdenciárias e imposto de renda referentes aos empregados, além de honorários advocatícios. Pelos termos do acordo, será pago quase o valor total de cada processo, ou seja, 95% do crédito de cada reclamante.

A Vara já liberou cerca de R$ 2,5 milhões que estavam em uma conta judicial e outro montante está sendo pago pela empresa em processos individualmente, à medida que os autores de cada ação adere aos termos do acordo geral. As adesões foram homologados em audiências conduzidas na secretaria da Vara entre os dias 14 e 18 desse mês, paralelamente às audiências normais de outros processos.

A conciliação global foi firmada no começo do mês de junho, sob a coordenação da juíza Giselia Antunes Melo, em uma ação cautelar inominada (Processo 0000546-71.2010.5.05.0121 CauInom). O acordo abrangeu todos os processos da empresa que tramitam na Vara, à exceção de um que pende de habilitação de dependentes sediados nas Filipinas.

Histórico - A Nordeste Generation se estabeleceu no Brasil a partir da Keppel Corporation Ltda, grupo econômico com sede nas Filipinas. Os processos envolvendo a empresa estavam sem andamento por falta de bens para a penhora na Bahia. Além disso, havia risco de demora na execução (cobrança) por meio de outras empresas que compõem o mesmo grupo, já que isso exigiria uma discussão jurídica complexa, além de envolver representações em diferentes unidades da federação ou mesmo em países estrangeiros.
 
Após a conciliação, a Vara do Trabalho suspendeu as ordens de bloqueio e penhora de ativos financeiros da empresa, que só voltarão a valer se o acordo firmado não for cumprido. Com a comprovação da retenção das contribuições do INSS, IRPF e Custas, inclusive as de execução, a secretaria deve liberar, em favor da empresa, os valores depositados a título de depósito recursal ou depósito judicial.
 
Segundo a juíza Gisélia Melo, a 1ª Vara do Trabalho de Candeias é a quarta maior em volume de processos e mais complexa de toda a Justiça do Trabalho na Bahia, e a extinção destas ações significa mais tempo para se agilizar a solução de outras demandas e o cumprimento das metas fixadas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), no tocante à celeridade.'O acordo foi uma vitória da Justiça, que fez prevalecer a vontade do Estado na tutela dos direitos dos trabalhadores', conclui a magistrada

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Mentiras...

De concessão em concessão, corremos o risco de terminar a vida sem saber ao certo quem somos ou fomos" (Sérgio Pavarini, em Mentir para si mesmo é sempre a pior mentira).

terça-feira, 15 de junho de 2010

Gaza e os incômodos judeus

Gaza e os incômodos judeus

Charles Krauthammer | 12 Junho 2010
Internacional - Oriente Médio

Terras por paz. Lembram-se? Na última década, Israel deu terras - evacuou o Sul do Líbano no ano 2000, e Gaza em 2005. O que ganhou em troca? Intensificação da beligerância, pesada militarização dos inimigos, múltiplos seqüestros, ataques pela fronteira, anos de incessantes bombardeios com foguetes.

O mundo está horrorizado com o bloqueio israelense a Gaza. A Turquia denuncia sua ilegalidade, desumanidade, barbárie, etc. Os habituais suspeitos da ONU, o Terceiro Mundo e os europeus, aderem. O governo Obama treme.
Mas, conforme escreveu Leslie Gelb (1), ex-presidente do Conselho de Relações Exteriores (CFR), o bloqueio não só é perfeitamente racional, como também perfeitamente legal. Gaza, sob o Hamas, é um inimigo auto-declarado de Israel - declaração apoiada em mais de 4 mil foguetes disparados contra território civil israelense. Mesmo empenhado em incessante beligerância, o Hamas se faz de vítima quando Israel impõe um bloqueio para impedir que se arme ainda com mais foguetes.

Na Segunda Guerra Mundial, os EUA, com plena legalidade internacional, bloquearam a Alemanha e o Japão. Em 1962, durante a Crise dos Mísseis, em Cuba, os EUA bloquearam a ilha. Navios russos com armamentos que se dirigiam a Cuba deram meia-volta porque os soviéticos sabiam que a Marinha americana ia abordá-los ou afundá-los. Israel, porém, é acusado de crime internacional por fazer o que John Kennedy fez: impor um bloqueio naval para impedir que um Estado hostil obtenha armas letais.

Oh!, mas os navios não iam para Gaza em missão humanitária? Não. Se fossem, teriam aceitado a oferta israelense de levar os suprimentos a um porto em Israel, onde seriam inspecionados para verificar a presença de material militar, e depois levados por terra para Gaza - da mesma forma como 10 mil toneladas de alimentos, remédios e outros suprimentos humanitários são enviados toda semana a Gaza por Israel.

Por que a oferta foi recusada? Porque, como admitiu a organizadora Greta Berlin, o objetivo da flotilha não era levar ajuda humanitária, mas furar o bloqueio, acabando com o regime israelense de inspeção, o que resultaria no fim das restrições à entrada de navios em Gaza e no armamento ilimitado do Hamas.

Israel já interceptou por duas vezes navios carregados de armas iranianas destinadas ao Hezb'Allah (Partido de Alá, no Líbano) e para Gaza. Que país permitiria isso?

Mas, ainda mais importante: por que Israel foi obrigado a adotar o bloqueio? Porque é sua alternativa, já que o mundo sistematicamente considera ilegítimas suas formas tradicionais de auto-defesa - avançada e ativa.

(1) Defesa avançada: Sendo um país pequeno, densamente povoado e cercado de Estados hostis, Israel adotou, durante seus primeiros 50 anos, a defesa avançada - transferindo a luta para território inimigo (como no Sinai e nas Colinas de Golã), para não travá-la em seu próprio território.

Sempre que possível, Israel trocou terras por paz (o Sinai, por exemplo). Mas onde as ofertas de paz foram recusadas, o país reteve o território como uma zona-tampão de proteção. Assim, manteve [até o ano 2000] uma pequena faixa no Sul do Líbano para proteger as aldeias no Norte do Estado judeu. Em Gaza, sofreu muitas baixas para não expor cidades fronteiriças aos ataques terroristas palestinos. Pela mesma razão, os americanos travam uma guerra desgastante no Afeganistão: lutando com [os jihadistas] lá, para não ter de combatê-los nos EUA.

Porém, sob forte pressão externa, os israelenses desistiram. Disseram-lhes que a ocupação não era apenas ilegal, mas a fonte das insurgências contra Israel - portanto, a retirada, ao remover a causa, traria a paz.

Terras por paz. Lembram-se? Na última década, Israel deu terras - evacuou o Sul do Líbano no ano 2000, e Gaza em 2005. O que ganhou em troca? Intensificação da beligerância, pesada militarização dos inimigos, múltiplos seqüestros, ataques pela fronteira, anos de incessantes bombardeios com foguetes.

(2) Defesa ativa: o país adotou então a defesa ativa - ação militar para dividir, desmantelar e derrotar (para usar as palavras do presidente Obama sobre a campanha americana contra o Talibã e a al-Qaeda) os mini-Estados terroristas no Sul do Líbano e em Gaza, após a retirada israelense.

O resultado? A guerra do Líbano em 2006 e a operação em Gaza em 2008-2009. Elas foram recebidas com outra avalanche de críticas e calúnias pela mesma comunidade internacional que exigira a retirada israelense no esquema terras por paz. E o pior, o relatório Goldstone da ONU, que basicamente criminalizou a operação defensiva de Israel na Faixa de Gaza, enquanto encobriu o "casus belli" - os ataques com foguetes pelo Hamas que precederam a operação - e que efetivamente deslegitimou qualquer defesa ativa por parte de Israel contra os seus auto-declarados inimigos que utilizam o terror.

(3) Defesa passiva: Sobrou a Israel a defesa mais passiva e benigna de todas - o bloqueio para evitar o rearmamento do inimigo. Também este recurso está a caminho de ser deslegitimado pela comunidade internacional. Mesmo os EUA tendem pela sua abolição.

Então, se nada mais é permitido, o que resta?

Bem, este é o ponto. É o ponto compreendido pelos simpatizantes do terror e idiotas úteis da flotilha que pretendiam romper o bloqueio, pela organização turca que a financiou, pelo automático coro anti-israelense no Terceiro Mundo e na ONU e para os apáticos europeus que estão fartos do problema judaico.

O que resta? Nada. O objetivo da incessante campanha internacional é privar Israel de toda forma legítima de defesa. Por que, [no final de maio], o governo Obama se juntou aos chacais, e inverteu uma prática de quatro décadas seguida pelos EUA, assinando um documento de consenso que coloca o foco em Israel por possuir armas nucleares? - deslegitimando a última linha de defesa de Israel: a dissuasão.

O mundo está cansado desses incômodos judeus, 6 milhões - de novo, este número - espremidos junto ao Mediterrâneo, recusando todo convite ao suicídio nacional. Eles são implacavelmente demonizados, isolados e coagidos a não se defender, mesmo que os mais empenhados anti-sionistas - os iranianos em particular - estejam preparando abertamente uma solução final mais definitiva.

Nota do Editor:
1 - Krauthammer cita Leslie Gelb muito provavelmente pelo fato de que globalistas conhecidos como Gelb costumam pensar de forma radicalmente diferente. Gelb, além de ser uma espécie de presidente de honra do CFR, é editor do jornal esquerdista New York Times. Tem sua história marcada pela parceria com o agente comunista Morton Halperin, um traidor sistemático dos EUA desde pelos menos a Guerra do Vietnã, e que hoje desfruta cargo elevado e influente na Open Aid Foundation de George Soros.

Charles Krauthammer é colunista do The Washington Post.
Publicado por http://www.beth-shalom.com.br

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Israel ante o poder global

http://www.midiasemmascara.org/artigos/globalismo/11140-israel-ante-o-poder-global.html

Olavo de Carvalho | 08 Junho 2010

Se Israel tivesse a seu lado o esquema globalista, teria também a mídia internacional, mas esta é de fato o seu principal e mais odiento inimigo. Longe de ser instrumento de um projeto mundial de poder, Israel é hoje quase uma nação pária, como Honduras, a Colômbia, Uganda ou o Estado americano do Arizona.

O episódio do navio turco em Israel resume-se em dois termos: "factóide" e "guerra assimétrica". Seria a marinha turca tão despreparada, tão ingênua, tão pueril ao ponto de ignorar que nenhum governo do mundo jamais deixaria um navio estrangeiro desembarcar toneladas de caixas numa zona em conflito sem examiná-las primeiro? Sobretudo depois que os mediadores israelenses foram recebidos a socos e pontapés, por que deveria o governo de Tel-Aviv aceitar a priori a hipótese de que o conteúdo das caixas fosse algo de tão inocente quanto bolinhos de bacalhau ou picolés de abóbora? É com base nesta hipótese maluca, teatral, fingida até o último limite de desespero, que a tal "opinião pública mundial" se desfaz em lágrimas de cólera contra a ação israelense.

O significado do caso vai, no entanto, muito além do de mais uma encenação patética de auto-vitimização palestina. Muitos estudiosos do poder global, inclusive alguns bem honestos, asseguram que o establishment bancário europeu e anglo-americano tem no Estado de Israel um dos seus principais instrumentos de ação imperialista para a conquista do poder sobre todo o orbe planetário. A hipótese parece razoável à primeira vista, tendo-se em conta a elevada presença de judeus nos altos círculos do globalismo, mas ela recebe um desmentido cabal e flagrante quando se observa a atuação da mídia internacional nos vários conflitos que envolvem Israel. Afinal, um bilionário ter nascido judeu não faz dele automaticamente um patriota israelense ou um amigo dos demais judeus, como o sujeito ter nascido americano não faz dele um discípulo fiel dos Founding Fathers. A mídia é o instrumento supremo de ação das elites globalistas sobre a opinião pública. Daniel Estulin demonstrou, em "A Verdadeira História do Grupo Bilderberg", que hoje em dia a grande mídia da Europa e dos EUA está concentrada nas mãos de uns poucos grupos globalistas. Se Israel estivesse a serviço desses grupos, o que veríamos nos jornais e canais de TV seria a defesa incondicional dos interesses israelenses mesmo quando fossem injustos e prejudiciais ao resto do mundo. Na realidade, o que se vê é precisamente o contrário: façam os judeus o que fizerem, eles são sempre os errados, os malvados, os imperialistas, os agressores. A guerra de ocupação cultural muçulmana no Ocidente, em contrapartida, é invariavelmente pintada com as cores mais inocentes e comovedoras, como se a imposição arrogante da shariah e do poder islâmico na França, na Alemanha ou na Inglaterra fosse apenas uma questão de proteger imigrantes desamparados e inermes. Diante de cada confronto espontâneo ou fabricado, a reação pró-islâmica e anti-israelense da classe jornalística mundial é sempre imediata, unilateral e sem o mais mínimo exame crítico. A duplicidade de critérios com que aí são julgados os contendores mostra que a cobertura desses episódios, em praticamente todos os países e idiomas, já foi muito além do mero viés jornalístico e se transformou numa arma de guerra assimétrica. Ela tem a constância automática da obediência a um programa de ação previamente decidido. E quem o decidiu, senão os que têm os meios de fazê-lo, os donos da geringonça midiática? Se Israel tivesse a seu lado o esquema globalista, teria também a mídia internacional, mas esta é de fato o seu principal e mais odiento inimigo. Longe de ser instrumento de um projeto mundial de poder, Israel é hoje quase uma nação pária, como Honduras, a Colômbia, Uganda ou o Estado americano do Arizona, carregando, como eles, a culpa de tomar decisões independentes em favor de seu povo em vez de auto-sacrificar-se masoquisticamente no altar da Nova Ordem Mundial, como o fazem as nações européias.

Para além da sátira. Perseguição a cristãos

http://www.midiasemmascara.org/mediawatch/noticiasfaltantes/perseguicao-anticrista/11135-para-alem-da-satira-.html

Olavo de Carvalho | 31 Agosto 2004

O pesadelo de povos inteiros trucidados ante o olhar indiferente do mundo e os sorrisos sarcásticos dos bem-pensantes repete-se, igualzinho ao dos anos 30.

Não há discussão possível sem o acesso dos interlocutores a um mesmo conjunto de dados. Os dados do presente artigo estão nos livros "Their Blood Cries Out: The Untold Story of Persecution Against Christians in the Modern World", de Paul A. Marshall e Lela Gilbert (Word Publishing, 1997) e "Persecution: How Liberals Are Waging War Against Christianity", de David Limbaugh (Regnery, 2003), e nos sites http://www.religioustolerance.org/rt_overv.htm , http://freedomhouse.org , http://www.markswatson.com/Persecution.html e http://www.persecution.org/newsite/ . Dessas fontes, a primeira demonstra acima de qualquer dúvida razoável que está acontecendo em países islâmicos e comunistas um morticínio organizado de cristãos, sem outro motivo que não o de serem cristãos, alcançando já um total de mais de dois milhões de vítimas desde a última década.

A segunda mostra, com idêntica riqueza de evidências, um tipo diferente de perseguição que se observa no outro lado do mundo: o genocídio cultural anticristão nos EUA. Sob a pressão do lobby politicamente correto que domina as classes superiores e a mídia, os cristãos americanos vêm sendo expulsos, deliberada e sistematicamente, das instituições de ensino e cultura, proibidos de rezar em voz alta nas escolas, nos quartéis, nas repartições públicas e em muitas empresas privadas. Estudantes são punidos porque entraram em classe com um crucifixo ou uma Bíblia. Associações cristãs de caridade são ostensivamente desfavorecidas na distribuição de verbas oficiais, candidatos cristãos a cargos públicos são vetados por conta de sua religião. Enquanto um fluxo ininterrupto de propaganda anticristã inunda as livrarias, os jornais e os cinemas ("O Corpo" e "O Código da Vinci" são só dois dos exemplos mais populares), alguns Estados tornaram obrigatório o ensino do islamismo e das religiões dos índios americanos nas escolas, punindo qualquer preferência cristã ostensiva com estágios obrigatórios de "reeducação da sensibilidade" que incluem horas de recitações corânicas ou prática de ritos indígenas. Desde a lei dos direitos civis, jamais alguma comunidade minoritária americana sofreu discriminação tão ampla, tão prepotente e tão mal disfarçada como aquela que hoje vem sendo imposta à maioria cristã.

As demais fontes mencionadas fornecem confirmações às duas primeiras, em dose superior ao que poderiam exigir as mentes mais lerdas e recalcitrantes.

Embora se passem em hemisférios opostos, os dois fenômenos estão interligados. A indústria cultural que usa de todo o seu poder para fomentar o preconceito contra o povo cristão dentro da própria América não haveria de querer alertá-lo, ao mesmo tempo, para o perigo de morte que ronda os seus correligionários na Ásia e na África: ele poderia ver nisso uma antecipação do destino que o aguarda, já que todo genocídio vem sempre antecedido da destruição das defesas culturais da vítima. A conexão, assim, torna-se óbvia: sem a cumplicidade ativa ou passiva, barulhenta ou silenciosa do establishment anticristão do Ocidente, nunca os ditadores da China, do Sudão, do Vietnã e da Coréia do Norte poderiam continuar matando cristãos sem ser incomodados. O discurso da mídia em favor de "minorias" hoje privilegiadas, que nos EUA nunca sofreram uma parte ínfima do sofrimento imposto aos cristãos no mundo -- discurso sempre acompanhado da inculpação ao menos implícita do cristianismo --, é ele mesmo um meio eficaz de dessensibilizar o público para a perseguição anticristã.

O pesadelo de povos inteiros trucidados ante o olhar indiferente do mundo e os sorrisos sarcásticos dos bem-pensantes repete-se, igualzinho ao dos anos 30.

Oito milhões de ucranianos ameaçados por Stalin poderiam ter sobrevivido se o New York Times não assegurasse que estavam em boas mãos. Seis milhões de judeus poderiam ter sido poupados, se na Inglaterra o sr. Chamberlain, nos EUA os comunistas comprados pelo pacto Ribbentropp-Molotov e na França uma esquerda católica podre, sob a liderança do açucarado Emmanuel Mounier, não garantissem que Adolf Hitler era da paz. A credibilidade dos apaziguadores é uma arma letal a serviço dos genocidas. Mas hoje não é preciso nem mesmo desmentir o horror. Ninguém sabe que ele existe. O mundo estreitou-se às dimensões de uma telinha de TV, de uma manchete de jornal. O que não cabe nelas está fora do universo. A mídia elegante tornou-se o maior instrumento de controle e manipulação jamais concebido pelos supremos tiranos. Joseph Goebbels e Willi Munzenberg eram apenas amadores. Acreditavam em propaganda ostensiva, quando hoje se sabe que a simples alteração discreta do fluxo de notícias basta para gerar nas massas uma confiança ilimitada nos manipuladores e o ódio feroz a bodes expiatórios, sem que ninguém pareça tê-las induzido a isso. O tempo das mentiras repetidas está superado. Entramos na era da inversão total.

Por isso mesmo, dizê-lo é inútil. Conheço bem a classe letrada brasileira. Sei que nela, sobretudo entre os jornalistas, são muitos os que, à simples leitura deste artigo, sem a mínima tentação de consultar as fontes, negarão tudo a priori mediante um risinho de desprezo cético e o recurso infalível ao estereótipo pejorativo da "teoria da conspiração". Serão ouvidos com aprovação como se fossem as supremas autoridades no assunto, e eu passarei por louco. Um mundo em que trejeitos afetados convencem mais que toneladas de provas está abaixo da possibilidade de ser descrito até mesmo pelos instrumentos mais contundentes da arte da sátira. George Orwell, Karl Kraus, Eugène Ionesco, Franz Kafka e até mesmo Alexandre Zinoviev, professor de lógica matemática que usou os instrumentos da sua disciplina para forjar uma linguagem apta a representar literariamente a incongruência total da vida soviética, prefeririam calar- se. A sátira existe, afinal, para retratar seres humanos. Ela paira acima da estupidez satânica, incapaz de descer o bastante para poder descrevê-la.

Folha de São Paulo, 31 de agosto de 2004

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Diplomacia de sonâmbulos

Diplomacia de sonâmbulos

Por Olavo de Carvalho

31 Maio 2010

RESUMO: O elemento durável e decisivo na História são as religiões: o Estado, a nação e, no fim das contas, tudo o que hoje se denomina "política" são apenas a espuma na superfície de uma corrente que se constitui, em essência, da história das religiões.

Pergunto-me se alguém, no nosso governo, tem alguma compreensão do pano-de-fundo religioso, místico e esotérico das manobras do presidente iraniano Mahmud Ahmadinejad. A resposta é evidentemente "Não". A simples idéia de que em política a religião possa ser algo mais que um adorno -- ou disfarce -- publicitário é absolutamente inalcançável para os brucutus do Palácio do Planalto e para os galináceos engomados do Itamaraty. Toda vez que essa gente toma decisões em assuntos que pairam infinitamente acima de seus neurônios e arrastam o povo na direção de um destino que este compreende menos ainda, a liderança intelectual, política, empresarial e militar deste país deveria bater no peito e, genuflexa, recitar: Mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa. O Brasil está se transformando no instrumento mais passivo, bocó e inconseqüente de políticas internacionais desastrosas que, nas presentes condições, não podem sequer ser objeto de um debate público sério por absoluta falta de debatedores informados.

A ideologia dominante no mundo moderno apregoa que a sociedade política é uma realidade auto-subsistente, dentro da qual, e como parte subordinada da qual, existe um fenômeno chamado "crenças", cujo exercício o Estado, conforme lhe dê na telha, protege ou reprime.

Essa visão das coisas, hoje tida como dogma do senso comum, é diretamente contraditada pela realidade histórica. Não existe no universo um só Estado ou nação que não tenha surgido desde dentro das religiões, como capítulo fugaz da história dos seus antagonismos internos e externos. O elemento durável e decisivo na História são as religiões: o Estado, a nação e, no fim das contas, tudo o que hoje se denomina "política" são apenas a espuma na superfície de uma corrente que se constitui, em essência, da história das religiões, tomado o termo num sentido amplo que abrange os movimentos ocultistas e esotéricos, incluindo os que se travestem de materialistas e agnósticos (o marxismo é o exemplo mais nítido: leiam Marx and Satan, do pastor Richard Wurmbrand, e To Eliminate the Opiate, do rabino Marvin Antelman, e entenderão do que estou falando).

Obscurecido pela ilusão da "política", o predomínio absoluto do fator religioso na História mostrou uma vez mais sua força no instante em que o projeto de governo global, muito antes de se traduzir em medidas políticas concretas, teve de se constituir, já desde os anos 50, numa engenhoca espiritual que acabaria por tomar o nome de United Religions Initiative (cito uma vez mais Lee Penn, False Dawn: The United Religions Initiative, Globalism and the Quest for a One-World Religion, leitura obrigatória para quem quer que deseje entender o mundo de hoje).

Mas, se as lideranças globalistas estão bem cientes desse fator, ele continua ignorado pela massa dos analistas políticos, comentaristas de mídia e "formadores de opinião" em geral, apegados, por força da sua formação universitária, ao mito do "Estado leigo", como se a razão de ser deste último não fosse, precisamente, o advento final de algo como a United Religions Initiative.

O único lugar do planeta onde a consciência do poder da religião como força modeladora da História está viva não só entre os intelectuais como até entre a população em geral, é o Islam. Por isso é que milhões e milhões de muçulmanos têm um senso de participação consciente em planos estratégicos de longuíssima escala -- em escala de séculos -- para a instauração do império islâmico mundial. Esse senso, aliado à completa invisibilidade dessa escala no horizonte histórico estreito dos políticos ocidentais, basta para explicar que o Islam tenha hoje a maior militância organizada que já se viu no mundo - um poder avassalador a cuja marcha triunfante os países mais ricos e supostamente mais fortes não sabem nem podem oferecer senão uma resistência verbal perfeitamente inútil.

Habituados a raciocinar em termos de poderes estatais, militares, econômicos e burocráticos, os estrategistas do Ocidente perdem freqüentemente de vista a unidade profunda do projeto islâmico ao longo do tempo, nublada, a seus olhos, por divergências momentâneas de interesses nacionais que, para eles, constituem a única realidade efetiva. E nisso refiro-me aos estrategistas das grandes potências, não a seus macaqueadores de segunda mão que hoje constituem a "zé-lite" da diplomacia luliana. Estes não têm sequer a noção de que exista, para além dos lances do momento, um projeto islâmico de longo prazo, ao qual servem sem atinar com o sentido daquilo que fazem ou dizem. Movem-se na cena do mundo como sonâmbulos errando entre sombras, imitando o soneto célebre de Fernando Pessoa:

"Emissário de um rei desconhecido,

Eu cumpro informes instruções de além,

E as bruscas frases que aos meus lábios vêm

Soam-me a um outro e anômalo sentido."

Disponivel em:

http://www.midiasemmascara.org/artigos/religiao/11114-diplomacia-de-sonambulos.html

Por que todos odeiam Israel?

http://www.midiasemmascara.org/artigos/internacional/oriente-medio/11123-por-que-todos-odeiam-israel-.html

Blog do Mr. X | 03 Junho 2010
Internacional - Oriente Médio

Putin matou duzentos mil muçulmanos chechenos. Os jordanianos mataram em um só mês (Setembro Negro) dez vezes mais palestinos do que os israelenses em 40 anos. Há menos de um mês, um barco sul-coreano foi torpedeado e morreram 46 pessoas, e ninguém está "indignado".Por que alguns mortos valem mais do que outros?

Se é verdade que "os sionistas controlam a mídia", como se explica que esta seja tão fanaticamente anti-Israel? Nenhum outro país é tão vigiado, tão vilipendiado, tão acusado. Se os "sionistas" de fato controlam os meios de comunicação, estão fazendo um péssimo serviço.

Há uma guerra civil no Congo que dura até hoje e que já matou mais de cinco milhões de pessoas em poucos anos. É a guerra com maior número de vítimas desde a II Guerra mundial. Ninguém se importa. Ninguém vai levar medicamentos, água ou comida para esses pobres desgraçados. Não vai haver nenhuma "frota da paz" nessa direção. Ninguém vai comentar em blogs.
Putin matou duzentos mil muçulmanos chechenos. Houve uma única jornalista que protestou, e terminou suicidada com dois tiros. Quanto ao resto da mídia, silêncio.
Os jordanianos mataram em um só mês (Setembro Negro) dez vezes mais palestinos do que os israelenses em 40 anos. Mesmo hoje, morrem mais muçulmanos nos conflitos sunitas versus xiitas do que no conflito com Israel. Mas se árabe mata árabe, ninguém se importa.
Há menos de um mês, um barco sul-coreano foi torpedeado e morreram 46 pessoas, e ninguém está "indignado".
Por que alguns mortos valem mais do que outros?

octopus

Agora temos o caso da tal "frota da paz". Eis seus pacíficos passageiros.
É verdade, nem todos na frota eram dessa laia. Alguns eram apenas idiotas úteis, candidatos ao troféu principal dos Darwin Awards (quem mais iria para uma zona de guerra fazer "turismo de protesto"?)

Claramente, tratava-se de uma armadilha. Israel não tinha como vencer: se deixasse os barcos passarem, perdia a moral e a segurança. Se afundasse os barcos, mesmo estando de acordo com a lei internacional (*), o país seria crucificado.
Os israelenses optaram pela opção, a meu ver equivocada, de revistar o barco com soldados, os quais foram recebidos a pauladas, como bem mostra o vídeo no post anterior. Algumas dezenas de soldados contra uma massa humana tentando linchá-los. Nessas condições, o confronto foi inevitável.
O problema poderia ter sido resolvido sem a abordagem, com tiros de advertência de um canhão, seguidos de tiros reais caso o navio continuasse. O escândalo midiático seria provavelmente o mesmo, mas não se colocaria em risco a vida de soldados, e talvez houvesse menos vítimas, já que os caídos ao mar poderiam ser resgatados.

A imagem de Israel sai arranhada, e não podia ser diferente. Israel está virando, para a mídia, a nova África do Sul. Não, não faço aquela velha e gasta comparação com o sistema do apartheid, que era algo totalmente diferente ao que ocorre hoje no Oriente Médio. Mas o país recebe internacionalmente a mesma tentativa de desqualificação total. Assim como todos estavam contra a África do Sul nos anos 80, hoje todos estão contra Israel.
Curiosamente, foi nesta mesma semana que saíram notícias sobre um suposto acordo secreto entre Israel e África do Sul, no qual Israel teria tentado (sem sucesso) vender armas nucleares ao país africano. Logo depois soube-se que as notícias eram falsas, mas não poderia ser mais clara a tentativa de igualar os dois países como párias da humanidade (ou, alternativamente, bodes expiatórios da Sempre Boa "comunidade internacional").
Israel e a velha África do Sul, na verdade, têm muito pouco em comum no que se refere à organização política, até porque Israel é uma sociedade democrática e multiracial. (E se Israel negociava com a África do Sul, era porque o bloqueio árabe deixava poucas outras opções.)

Mas, de certo ponto de vista, a antiga África do Sul e Israel podem ter sim ao menos uma coisa em comum. Se Israel pode ser visto, dependendo da ideologia, tanto como opressor de pobres palestinos ou como um minúsculo país judeu cercado por milhões de inimigos árabes, da mesma forma a África do Sul poderia ter sido vista, não só como um país de brancos malvados oprimindo negros, mas também como um país onde uma minoria branca estava cercada por milhões hostis de maioria negra.
(Não estou apoiando o apartheid, que fique claro: só observando a disparidade das populações, entre judeus e árabes em um caso, e entre brancos e negros do outro, e o ódio entre ambos. É verdade também que o desgosto da mídia é seletivo. Imagine um sistema no qual os brancos sejam oprimidos e expulsos de suas terras, quando não mortos, e pergunte-se se ocorreria o mesmo escândalo. Pois esse país existe, chama-se Zimbábue. Imagine um ou mais países onde os judeus sejam expulsos à força e percam todas as suas propriedades. Também existem, são os países árabes após 1948. Ninguém liga.)

Bem, fora isso, é claro que o apartheid era um sistema opressivo de separação racial que pouco ou nada tem a ver com o que ocorre em Israel, onde o conflito é bem outro e tem origens territoriais e religiosas muito antigas. A similitude está no fato de que, assim como negros e brancos ainda não se dão bem na África do Sul, e alguns até acham que as relações pioraram, muçulmanos e judeus continuarão a se odiar enquanto o conflito por terras e religião continuar.
Pode cantar musiquinha, pode fazer propaganda, pode tentar macumba. O problema não vai se resolver. Há certas questões que são insolúveis mesmo por canais diplomáticos, e mandar "frotas da paz" só atrapalha. Embora talvez seja essa a intenção.

Alguns dirão que a propaganda dos islâmicos venceu, que este é o "Eldorado dos Carajás" israelense. Não importa. Para todos os efeitos, a hora das Relações Públicas acabou. Não interessa mais o que os intelectuais suecos pensem de Israel. O país enfrenta o momento mais delicado desde 1948, com Hizbollah superarmado ao norte, Hamas dominando Gaza ao sul, e a possibilidade de um Irã atômico que fala abertamente em aniquilar o país sob aplausos da comunidade internacional. Agora até a ex-aliada Turquia ameaça se virar contra, e os EUA de Obama tampouco são muito amigos, tendo cancelado uma série de auxílios ao país. Não há mais tempo para posar de bonzinho. É bala na agulha. É Israel contra todos.
Se acham que exagero, basta olhar a repercussão midiática de qualquer evento envolvendo Israel. O país jamais será visto com bons olhos. Até a ajuda que deu durante o terremoto no Haiti foi criticada por alguns (diziam que os sionistas estavam lá para roubar órgãos). Que África do Sul o quê - suspeito que nem a Alemanha nazista foi tão odiada em seu tempo. O ódio contra Israel é irracional, já que o conflito Israel vs. palestinos é um conflito menor, que não tem demasiada importância geopolítica, que não afeta quase ninguém fora daquela limitada região (fora os judeus mortos em atentados terroristas islâmicos em outras cidades) e que nem causou, proporcionalmente, tantas vítimas quanto outros conflitos muito mais sangrentos. Mais muçulmanos são mortos todo ano por muçulmanos do que os que Israel jamais matou. Morrem mais pessoas em um fim de semana nas guerras do tráfico no Rio do que em Gaza. Mas, contra um vendaval de ódio, é inútil argumentar.

Sinceramente, não sei de onde vem todo esse ódio. Poucos se importam se Sri Lanka massacra os tamis, se os Chineses reprimem os tibetanos, ou se os turcos eliminam os curdos. Esses três povos vitimizados tem tanta ou mais "legitimidade" para ter um estado próprio do que os palestinos, que não é uma etnia específica e é um termo que não existia antes de 1967. Mas ninguém se importa muito com eles.
Não, Israel não é perfeito. Muitas vezes erra mais do que acerta. Ultimamente tem cometido algumas trapalhadas, e seus políticos metem os pés pelas mãos. Pode-se argumentar que cometeu vários ataques desnecessários e até crimes de guerra. É válido criticar suas políticas, assim como as de qualquer outra nação. O país não é santo -- mesmo porque não têm opção de ser. Ou resiste, ou é destruído. E não se enganem: esse é o objetivo de seus inimigos. Destruir o país, aniquilar sua população, e colocar toda a área sob controle islâmico.
É claro que alguns ficariam felizes com a destruição de Israel, assim como ficariam felizes com a destruição dos EUA, ou mesmo de todo o odiado Ocidente. A esses, tudo o que se pode dizer é: cuidado com o que deseja, pois poderá se tornar realidade. O resultado vai ser muito pior do que você pensa.
Nota:

(*) Lei Internacional:
12 June 1994
SECTION V : NEUTRAL MERCHANT VESSELS AND CIVIL AIRCRAFT
Neutral merchant vessels
67. Merchant vessels flying the flag of neutral States may not be attacked unless they:
(a) are believed on reasonable grounds to be carrying contraband or breaching a blockade, and after prior warning they intentionally and clearly refuse to stop, or intentionally and clearly resist visit, search or capture.

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Sansão, o primeiro terrorista suicida.

Quanto custa um automóvel no Brasil ...

Veja o absurdo que é mordida dos governos Estadual e Federal.

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A revista Época levantou uma comparação com o preço cobrado pelo Corolla em outros países. De 13 países pesquisados, o Brasil é onde ele custa mais caro. Nos Estados Unidos, ele é vendido por R$ 32.800 (US$ 19 mil), menos da metade do preço daqui. Na China, por R$ 37.100. No México, por R$ 37.200. Na Alemanha, por R$ 50.700. O preço médio dos 13 países é de R$ 45.800, 60% do preço nacional.