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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Salário mínimo deveria ser R$ 2.398,82 para brasileiro arcar com despesas básicas


Economia
06/02/2012 - 15h39

Salário mínimo deveria ser R$ 2.398,82 para brasileiro arcar com despesas básicas

InfoMoney
SÃO PAULO - O brasileiro precisaria de um salário mínimo no valor de R$ 2.398,82 em janeiro, para conseguir arcar com suas despesas básicas, de acordo com dados divulgados pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) nesta segunda-feira (6).
A entidade verificou que são necessárias 3,86 vezes o valor do salário mínimo vigente na data para suprir as demandas do trabalhador. O cálculo foi feito com base no mínimo de R$ 622, em vigor desde o mês passado.
Em dezembro, o valor necessário para suprir as necessidades mínimas do trabalhador era de R$ 2.329,35, sendo 4,27 vezes maior que o salário mínimo vigente naquele mês, que era de R$ 545.
O salário mínimo necessário é o que segue o preceito constitucional de atender às necessidades vitais do cidadão e de sua família, como moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, sendo reajustado periodicamente para preservar o poder de compra.
Cesta versus salário
O comprometimento com os gastos da cesta básica alcançava, em média, 43,03% do salário mínimo em janeiro, após a dedução da parcela referente à Previdência Social, ante os 48,11% necessários em dezembro de 2011. No mesmo período de 2011, o percentual comprometido era de 48,11%.
Confira o movimento do salário mínimo vigente e o necessário de janeiro de 2011 a janeiro deste ano:
MêsSalário vigenteSalário necessário
Janeiro/11R$ 540R$ 2.194,76
Fevereiro/11R$ 540R$ 2.194,18
Março/11R$ 545R$ 2.247,94
Abril/11R$ 545R$ 2.255,84
Maio/11R$ 545R$ 2.293,31
Junho/11R$ 545R$ 2.297,51
Julho/11R$ 545R$ 2.212,66
Agosto/11R$ 545R$ 2.278,77
Setembro/11R$ 545R$ 2.285,83
Outubro/11R$ 545R$ 2.329,94
Novembro/11R$ 545R$ 2.349,26
Dezembro/11R$ 545R$ 2.329,35
Janeiro/12R$ 622R$ 2.398,82
Fonte: Dieese

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Dilemas da diplomacia brasileira


O Brasil sempre pôde se sentir confortável sobre temas internacionais, pois não influía em nada e de nada era exigido.
Quando eventualmente convocado, mostrava-se dúbio, como no governo de Getúlio Vargas.
Porém, agora, quem alega postular um assento no Conselho de Segurança da ONU, terá que dizer e agir como quem crê em democracia, liberdade e direitos humanos.
Além de demonstrar que possui poder bélico o suficiente para fazer impor suas idéias e ideais, se os fatos assim o exigirem.
Ou, em sentido contrário, apenas poder bélico e financeiro, tal qual a Rússia e a China.
Ainda que faça negócios ou não venha fazê-lo, terá que assumir os ônus das escolhas.
Não dá mais para ficar em cima do muro, tal qual se vê no problema da Síria.
Aos invés de ficar tentando dar lição de moral nos EUA, tínhamos que partir para agenda de acordos bilaterais, tal qual o Chile e a China.
Os EUA criticam a China, mas isso não os impede de serem o maior investidor da economia chinesa e vice-versa.
Por último, os EUA estão muito satisfeitos com a nossa patriotada no Haiti, pois, afinal de contas, os haitianos não foram para lá.
Em suma, nós sequer temos ciência das nossas potencialidades.
JD





Para veterano do Itamaraty, talvez não tenha sido este o melhor momento de Dilma iniciar sua performance presidencial na ilha de Fidel e Raúl

05 de fevereiro de 2012 | 3h 48



Marcos Azambuja
Teria sido melhor se a presidente da República não tivesse ido agora a Cuba. Criou-se, para ela, uma situação para a qual mesmo a mais atenta diplomacia não encontraria uma solução satisfatória.
No Palácio da Revolução, Dilma passou em revista a tropa cubana - Wilson Pedrosa/AE
Wilson Pedrosa/AE
No Palácio da Revolução, Dilma passou em revista a tropa cubana
Como chefe de uma das grandes democracias mundiais, Dilma Rousseff fala e age com a legitimidade de quem chegou ao poder pela vontade do povo e com prazos definidos - medida sua vitória com a exatidão e a transparência dos votos bem contados -, e seu compromisso com a defesa dos direitos humanos tem sido reafirmado, com clareza, em diversas ocasiões.
Por outro lado, as etapas iniciais de sua trajetória política e as alianças que foram tecidas em sua volta por seus correligionários e aliados a colocam em uma posição em que uma medida de fidelidade, ou pelo menos de ampla tolerância, com o regime cubano é incontornável.
Não era possível, assim, que chegasse ao aeroporto José Martí, em Havana, e ali fizesse declarações que representassem uma censura pública às práticas do governo local no terreno dos direitos humanos e à vocação desse regime para eternizar-se no poder, o que já acontece há 52 anos. Não seria realista esperar que isso pudesse acontecer.
Não me parece impróprio que enviemos, com a frequência que se fizer necessária, missões de alto nível a Cuba. Identifico ali importantes interesses econômicos e comerciais brasileiros e não é difícil ver as oportunidades que se oferecem para que algumas de nossas grandes empresas consolidem e ampliem sua presença na ilha. Ajudá-las é um objetivo que se justifica com naturalidade e que faz parte das regras aceitas do jogo internacional.
Teria sido apropriado, no entanto, não colocar Cuba agora no circuito da nossa diplomacia presidencial, atividade em que os nossos três governantes mais recentes atuaram quase sempre com propriedade e sucesso. Para promover interesses econômicos temos, dentro da nossa frondosa orquestra ministerial, vários titulares de pastas que sem qualquer problema podem ser mobilizados para agir na promoção de nossos interesses setoriais e específicos.
O objetivo deveria ser o de preservar nossos governantes, hoje cercados de grande prestígio e visibilidade internacionais, de visitas e encontros com interlocutores que pretenderiam aproveitar o momento de sua presença para obter uma visibilidade e uma credibilidade que normalmente estariam fora de seu alcance. Na sua mais recente visita à America Latina, Ahmadinejad já não colocou Brasília em seu roteiro, e essa exclusão foi interpretada internacionalmente como um sinal de que a presidente do Brasil pretende manter umas distância mais prudente do líder iraniano.
Houve tempo - e isso faz pouco tempo - em que nossos governantes viajavam para buscar empréstimos. Hoje, em vários casos, somos nós que fazemos empréstimos financeiros e, em uma outra dimensão da palavra, são os nossos mandatários que emprestam seu prestígio a governos e governantes desacreditados.
A visita a Cuba poderia ter sido realizada sem a presença da presidente Dilma Rousseff , que ficou inibida de dizer aquilo em que acredita e que corresponde à nossa adesão, não questionada, a valores universais que são desrespeitados pelo regime cubano.
Fez, ao contrário, e sem hesitação, uma condenação veemente da infâmia que tem sido a prisão de supostos terroristas na base de Guantánamo, enjaulados há vários anos, em muitos casos sem qualquer julgamento, o que constitui uma violação flagrante de seus direitos e uma mancha na reputação dos Estados Unidos.
A crítica ao que acontece em Guantánamo teria tido mais repercussão e seria mais equilibrada se fosse acompanhada de uma condenação não menos veemente a um governo autoritário e de um só partido, como é o cubano, e que controla, entre outras coisas, a liberdade de ir e vir de seus cidadãos.
O início ao mesmo o tempo romântico e heroico da revolução cubana deixou no Brasil uma reserva de afeição e uma imagem libertária que mais de meio século de uso abusivo do poder e a correspondente supressão das liberdades civis não conseguiram completamente erodir.
Sem a legitimidade que só a governança democrática confere e com uma longa história de desacertos na gestão da economia, o que o governo cubano soube cultivar foi a ideia de que sua legitimidade vem da resistência tenaz às ameaças políticas e ao bloqueio econômico dos Estados Unidos. Não existiria, assim, uma Cuba vista em si mesma, mas sim e essencialmente o imaginado baluarte contra os Estados Unidos. Não se é, a rigor, pró-cubano, mas sim e furiosamente antiamericano.
Talvez isso fique mais claro ao nos darmos conta de que não há entre nós e de maneira expressiva um culto à antiga União Soviética nem à China maoísta, matrizes da Cuba atual, mas o apoio ao esclerosado regime cubano perdura intacto e sempre na medida, que é essencialmente um símbolo da hostilidade a Washington.
A lição a aprender é que, em diplomacia, muitas vezes a escolha de um itinerário errado determina, mesmo antes de uma viagem, o que provavelmente vai acontecer. Não se vai a Teerã impunemente. Prestigiar Chaves em Caracas tem seus riscos. Uma visita a Cuba tem seu preço. Nesses como em outros casos trata-se de países à espreita de visitantes qualificados para fazer pagar, direta ou indiretamente, um tributo às políticas falidas que representam.
MARCOS AZAMBUJA É EMBAIXADOR, EX-CHEFE DA DELEGAÇÃO DO BRASIL PARA ASSUNTOS DE DESARMAMENTO E ATUAL VICE-PRESIDENTE DO CENTRO BRASILEIRO DE RELAÇÕES INTERNACIONAIS

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Custo de vida do Brasil supera o dos EUA



FERNANDO DANTAS - Agencia Estado
RIO - O custo de vida do Brasil superou o dos Estados Unidos em 2011, quando medido em dólares, segundo dados do Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre o PIB dos 187 países-membros. Este fato é extremamente anormal para um país emergente. Em uma lista do FMI de 150 países em desenvolvimento, o Brasil é praticamente o único cujo custo de vida supera o americano em 2011, o que significa dizer que é o mais caro em dólares de todo o mundo emergente.
Na verdade, há outros quatro casos semelhantes, mas referentes a São Vicente e Granadinas, um arquipélago minúsculo; Zimbábue, país cheio de distorções, onde a hiperinflação acabou com a moeda nacional; e Emirados Árabes Unidos e Kuwait, de população muito pequena, gigantesca produção de petróleo e renda per capita de país rico.
Considerando economias diversificadas como o Brasil, contam-se nos dedos, desde 1980, os episódios em que qualquer um de mais de cem países emergentes apresentasse, em qualquer ano, um custo de vida (convertido para dólares) superior ao dos Estados Unidos.
Há uma explicação para isso. O preço da maioria dos produtos industriais tende a convergir nos diferentes países, descontadas as tarifas de importação. Isso ocorre porque eles podem ser negociados no mercado internacional, e, caso estejam caros demais em um país, há a possibilidade de importar. Mas a maioria dos serviços, de corte de cabelo a educação e saúde, não fazem parte do comércio exterior. Assim, eles divergem muito em preço entre os países.
Em nações ricas, com salários altos, os serviços geralmente são muito mais caros do que nos emergentes. Isso se explica tanto pelo fato de que a renda maior tende a puxá-los para cima, como pelo fato de que a mão de obra empregada no setor de serviços recebe muito mais e representa um custo maior. Dessa forma, é principalmente o setor de serviços que faz com que o custo de vida seja mais alto no mundo avançado. Na comparação com os Estados Unidos, os países emergentes são quase sempre mais baratos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo. 



Reforma judiciária já

http://maierovitch.blog.terra.com.br/2012/02/04/reforma-judiciaria-ja/

A Associação Brasileira de Magistrados (AMB) ao provocar o Supremo Tribunal Federal (STF) para declarar a inconstitucionalidade formal da Resolução 135/2011 e da  atividade correcional autônoma (originária) exercida pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) — órgão de controle criado em 14 de junho de 2005 com uma reforma do Judiciário que durou dez anos — deu excepcional contribuição para o conhecimento melhor por parte dos brasileiros da Justiça e dos magistrados, desde o detestável corporativismo até a lerdeza na solução de litígios.
A propósito de duração processual média e o entrave nos negócios, o Banco Mundial analisou 181 países e a morosidade colocou  o Brasil no 100º posto. Poderia ser pior, pois fora do cálculo ficaram os precatórios brasileiros, cujos credores já não têm esperança de receber em vida.
Graças  à contribuição da AMB, o cidadão brasileiro, que clama há anos pela reforma política, sentiu a necessidade premente de se reformar o Poder Judiciário. E isso passa pela criação nos estados-federados e sem prejuízo das corregedorias dos tribunais e do CNJ, de Conselhos Estaduais de Justiça. Conselhos estaduais de controle efetivamente externo, com conselheiros eleitos e “recall” (cassação popular), instituto adotado em alguns estados norte-americanos e nos cantões suíços, caso  o eleito descumpra o compromisso de campanha.
Na reforma não deveria ficar sem debate, com posterior referendo popular, a forma de arregimentação dos magistrados. E seria salutar a adoção de órgãos colegiados em primeiro grau de jurisdição, de modo a reduzir os recursos às instâncias superiores.
Nos EUA e em 40 estados, os juízes e procuradores em função de Ministério Público são eleitos por mandato com prazo determinado. Os federais, juízes e procuradores, são escolhidos pelo presidente da República, com investidura condicionada à aprovação do Senado.
A principal crítica ao sistema norte-americano de arregimentação de magistrados diz respeito à verificada ambição por cargos nos legislativos e executivos. Essa sanha carreirista, usando os cargos como trampolim,  prejudica a imparcialidade e gera atuação populista. Um exemplo: o procurador eleito por Nova York, Cyrus Vance,  mergulhou de cabeça, a partir de 14 de maio de 2011, no caso Dominique Strauss-Kahn, o priapista violento e então poderoso presidente do Fundo Monetário Internacional (FMI). Mas, Vance se acovardou e, ao pedir o arquivamento do caso, recuou com temor de perder o prestígio num Juri e não realizar seu sonho imediato de virar prefeito de Nova York, a exemplo do célebre e ex-procurador Rudolf Giuliani.
O sistema brasileiro de seleção, como regra, é o salutar concurso público, com participação da OAB. Nos Tribunais existe, coisa nossa,  o chamado quinto constitucional, porta de acesso a advogados e procuradores a tribunais superiores, causando corrida a gabinetes de políticos a fim de obter patrocínios às candidaturas.
No STF a escolha é do presidente da República, com aprovação pelo Senado. Essa nossa corte de cúpula nasceu da idéia do imperador Pedro II de adotar o modelo da Corte Suprema dos EUA, o que só se efetivou na primeira constituição republicana.  O sistema europeu adota, nas Cortes Supremas, mandato não superior a quatro anos e impossibilidade de recondução. Por aqui, o ministro do STF só é obrigado a deixar a cadeira aos 70 anos ou por força de impeachment. Não está, como seria o ideal, sujeito ao poder correcional do CNJ. E até nepotismo já tivemos no governo Collor de Mello.
O sistema europeu privilegia o concurso público, mas nas audiências de instrução processual e de julgamento, convocam-se jurados leigos para decidir com número menor de magistrados concursados. Há, portanto, efetiva participação popular, enquanto o Brasil reserva ao cidadão atuação como jurado no Tribunal do Júri. Na Europa, o filósofo europeu da tripartição fundamental dos poderes não teve o prestígio logrado no Brasil. Na Itália, por exemplo, o Judiciário não existe como poder, mas os magistrados têm garantias e um Conselho a protegê-los de perseguições do primeiro-ministro e de parlamentares. Esse sistema é imperfeito, pois muitos se afastam temporariamente da Magistratura para concorrer a cargos políticos: não eleitos, voltam à função.
Por evidente, uma reforma no Brasil deve atacar a morosidade na solução de litígios. Sobre o tempo de duração média processual, e de execução  para a parte lesada  receber o seu crédito, na Alemanha isso leva 394 dias. Na França, o julgamento definitivo de crédito contestado ocorre em 331 dias. No Brasil a duração do processo é longa e o pagamento, em casos de precatórios, pode levar uma eternidade.A crise do euro já identificou a morosidade judiciária como um dos entraves para o crescimento e a geração de empregos, com reflexo no produto interno bruto dos países. O Brasil ainda não se deu conta disso, e o Judiciário caiu na boca do povo.
Wálter Fanganiello Maierovitch


quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

VENENO

O governo do PT experimenta do seu próprio veneno.
Greve parcial da polícia militar na Bahia e caos na capital e interior.