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terça-feira, 30 de abril de 2013

Português do Brasil é o melhor idioma, diz revista americana


Excelente notícia!

A musa de Camões é maravilhosa e é a língua mais bela do mundo: poética, rica para expressar sentimentos, bela ao se falar e musical ao se ouvir, cantada, especialmente quando é cadenciada, pausada, concatenada, a fim de valorar as expressões e os sentimentos que estão sendo enunciados, dando a oportunidade para o outro apreender o sentimento externado pelo interlocutor. A língua portuguesa é bela, apesar de, por muitos, ser alegada como difícil. Tem, em verdade, regras e distinções precisas na maioria dos casos submetidos à ciência da língua, justamente porque se trata de uma língua evoluída. Agora, só falta aos brasileiros redescobrirem a língua, estudarem e voltarem a falar um bom português, sem a péssima adoção de estrangeirismos idiotas, como os que vemos no dia-a-dia, de meros modismos, nas tolas palavras adotadas, como se não existissem expressões próprias ou mais adequadas na língua portuguesa.

Fico impressionado e até chocado quando passo em frente de uma vitrine das chamadas lojas de marcas modernas, que trazem expressões como "sale", "off" etc. Ora, por que não colocar tudo em inglês? Façam o teste, para ver se todos entendem e entram para comprar algo?! Fazem uma salada de português com inglês: "Promoção. 50% OFF". "Descontão. Até 70% OFF". As entregas em domicílio agora são "delivery".

Isso é agressivo. É um crime!

Já é maciça a interferência do inglês por conta do uso de sistemas de tecnologia da computação, da internet e das redes sociais. As pessoas não dizem mais que tal situação hipotética está ligada ou precisa estar ligada a outra situação, elas dizem que algo está "linkado" a algo. Ou, para você ser bem sucedido nas relações sociais, especialmente no ambiente de trabalho, você precisar "linkar" as coisas. E iniciar algo ou empreender algo novo chama-se “startar”.

Tenha paciência!

Por conta dessa interferência e do péssimo hábito da pessoas que lidam com tecnologia de computadores, internet, marketing e mídia, temos hoje o fenômeno do excesso de gerúndio nos atendimentos, do chamado gerundismo que tanto irrita o interlocutor, pois é nítida a falsidade que se passa com a tentativa de demonstrar que se está fazendo um atendimento cordial e ao mesmo tempo falando um bom português. Nada mais nojento de se dialogar. Confesso que, às vezes, desligo o telefone, tamanha a sensação de cometimento de crime mortal contra o bom português.

E qual a razão disso? Simples: a importação de técnicas de atendimento em inglês, sem um mínimo de cuidado com a tradução ou transliteração e a adequação de forma correta ao português. É que, de fato, no inglês é necessário essa forma de gerúndio, dada uma característica própria desta língua que, por ser de efetiva praticidade, é também uma língua de extrema pobreza de expressões e de completa ausência poética.

O inglês só se torna um pouco mais vasto nos círculos acadêmicos, ainda assim é necessário lançar mão de muitos termos técnicos próprios da área de estudo, de constante neologismo e palavras estrangeiras, especialmente do latim e do francês.

A grande maioria das pessoas de hoje, jovens e alguns com meia idade, levados apenas ao estudo do inglês, sequer têm noção de que a maioria das palavras que falam em inglês, com pronúncia em paroxítona e inglesada, não é nada além de uma palavra francesa ou latina com a pronúncia paroxitonizada, ou seja, com a tônica no início da palavra e não ao final, como são as pronúncias latinas, oxitonizadas, com a tônica ao final. Basta consultar um dicionário inglês com um pouco mais de senso de curiosidade e de olhar crítico, e, procurando ter um pouco mais de cultura, fará os comparativos com o francês e/ou com o latim.

Todos nós vemos a expressão em inglês, em literal gerúndio, quando ligamos os computadores com o programa windows: "Espere, o windows está sendo iniciado". "Espere, o windows está sendo desligado". E o que fazem as inteligências da informática? Que insistem em maltratar o português? Traduzem essa expressão de forma literal. Lógico, não é preciso raciocinar língua para se entender de informática, é como eles pensam e agem. Bastava adequar corretamente para: "Espere, o windows está iniciando".

Idem quando assistimos a filmes estrangeiros legendados. A pessoa que traduz pode até ser muito boa em inglês, mas comete erros grosseiros de português e de cultura geral, pois nem sempre consegue traduzir corretamente o que o/a ator/atriz quis dizer com a expressão usada nos diálogos do filme.

Sinceramente, no meu caso, assistir filme legendado é duplamente irritante. Duplamente porque se deve prestar mais atenção na legenda do que na cena, e por constatar que a legenda, por vezes, nada tem a ver com o que foi dito em inglês pelo/a ator/atriz. Os piratas então, são de causar infarto instantâneo.

Por decisão moral e para uma melhor diversão, só assisto filmes estrangeiros dublados. Sim, pois a dublagem requer maiores cuidados, como os expostos anteriormente, além de valorizar a língua nacional, que é uma questão moral. E, em matéria de diversão, o filme dublado deixa você livre apenas para se concentrar nas cenas, pois a fala chega aos ouvidos como música. Penso que seja até necessário uma campanha para valorização do português e da dublagem em filmes estrangeiros.

Outro erro comum ocorre no mundo cibernético moderno: é a crença da desnecessidade de correção dos textos, chegando ao absurdo de encontrarmos notícias e textos escritos em grande jornais com erros crassos, comezinhos, erros que um ser minimamente zeloso do português não cometeria. É a tal da pressa, como dizem.

Mas, como disse Henri Bergson(1), e isso em nos idos de 1880, a sociedade moderna teria sua linguagem com base nas imagens e não na língua, com suas naturais exigências, o que levaria a uma pobreza dos relacionamentos sociais. Se não estou errado, parece-me justamente o que estamos vivendo, especialmente quanto ao fenômeno das redes sociais, dos relacionamentos superficiais e de auto-exibicionismo, de solidão e auto-isolamento, de uma sociedade que está se fundamentando no egocentrismo. 

E tenho observado que já faz parte do cotidiano as pronúncias erradas, a fala das pessoas tentando e se esforçando para expressar palavras próprias do português, algumas já sem acento por conta da pseudo reforma, com a tônica em paroxítona, ou seja, tentando inglesar a palavra portuguesa. Tudo em razão desta revisão que baniu acentos gráficos necessários para melhor compreender a inclusão da palavra no texto e a forma correta de pronunciá-la, para, enfim, compreender o contexto, visto que tal reforma está conferindo um cheque em branco para toda a população que não se deve ter maiores preocupações entre o que se escreve, o que se lê e qual é ou era realmente o enunciado, i.e., a idéia ou a mensagem que se queria passar.

Há até autores modernos que alegam não ser necessário exigir rigor técnico linguístico ou adequação à norma culta de uma pessoa que escreve ou se candidata a um concurso, em uma redação ou vestibular etc., desde que o interlocutor ou leitor entenda o que foi dito.
Está certo, fazer o quê? Vamos assassinar nossa cultura, nossa pátria, o padrão mínimo de referência e vamos produzir o que der e como der na cabeça, afinal, a responsabilidade para entender será sempre de quem ouvir ou ler, ou seja, do receptor da mensagem, e nunca do enunciador.

É como o "slogan" de poderio e cultura americana: "speak english or die". Adequando para o presente caso, "entenda o que estou falando ou morra tentando, e isso é problema seu".

Quando percebo a americanização de nossa língua, sou acometido de um misto de pavor, medo, pena, nervosismo e comichão nos ouvidos, tendo o cuidado de imediatamente interromper a conversa, fazer uma alusão ao momento sociocultural que estamos vivendo, para constatar que o abandono da língua portuguesa levará nossa sociedade ao caos.

E, pior, há uma nítida diferença de classe entre quem precisa e entre quem pode ofertar oportunidades, como no caso de emprego. Quem oferece a oportunidade é extremamente criterioso ou o faz apenas para demonstrar poder, pois, logicamente, ele pretende selecionar o melhor; e o pobre coitado, candidato, é egresso de uma escola formal e da vida onde tais regras são totalmente desprezadas como item básico de formação e como forma subversiva de antagonizar esse poder da elite, que também é cultural. Ou seja, estas pessoas, pelo domínio do analfabetismo funcional, continuarão sendo meras peças descartáveis da produção de riqueza dos outros, nunca terão a oportunidade de ascensão pela cultura, pelo ensino, pelo método. Dependerão exclusivamente do esforço pessoal e da própria capacidade de discernimento para fazer as melhores opções para si e para o seu futuro, sem que haja auxílio de uma coletividade, que deveria ter sido educada para tanto.
Mas, no nosso caso, a educação é também uma forma de concentração poder, de riquezas e renda, e, em se tratando deste formato de sociedade, não há real interesse para que haja mudanças.

Vamos lá! Avante!

Shalom, JD.

"Todo erro humano é fruto da impaciência, do prematuro abandono do método, da ilusória fixação num sonho" - Franz Kafka.

*Texto revisado pela Profa. Carolina Barbon.
Especialista pela Universidade Gama Filho - Brasília.

(1) http://pt.wikipedia.org/wiki/Henri_Bergson

http://noticias.terra.com.br/mundo/brazil-no-radar/blog/2013/04/24/portugues-do-brasil-e-o-melhor-idioma-diz-revista-americana/

http://www.portugues.com.br/gramatica/gerundio-gerundismo--uma-analise-linguistica.html

http://g1.globo.com/platb/portugues/2006/12/


1
Daniel Buarque, no Terra
“Quando penso nos meus filhos, hoje com dez e cinco anos, um dia podendo colocar em seus currículos que têm ‘português fluente’, me sinto satisfeita”. O relato é da correspondente da revista The Economist à publicação americana More Intelligent Life, que publica um texto em que defende que o idioma falado no Brasil é o melhor para se aprender no mundo atual.
Segundo a revista, o português falado no Brasil é o melhor “investimento” em termos de estudo de línguas. A justificativa da publicação parte do tamanho da população brasileira, da perspectiva da economia do país, da importância do Brasil no mundo, da relativamente baixa dificuldade de aprender o idioma e da sua utilidade no mundo.

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